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OS TEMPLÁRIOS: UM BREVE RESUMO PDF Imprimir E-mail
Escrito por Sec:. Est:. de Gabinete   
14-Fev-2017

OS TEMPLÁRIOS: UM BREVE RESUMO

Os Templários foram uma das mais famosas Ordem Militar de Cavalaria, fundada no final da Primeira Cruzada. Podemos dizer que, o propósito principal dessa Ordem era proteger os cristãos que voltaram a fazer peregrinação em Jerusalém após a sua reconquista do domínio mulçumano, assim, surgiu o que hoje conhecemos como os Templários.

No ano de 1118, Godofredo de Buillon e mais 8 (oito) cavaleiros, entre eles Hugo de Payens propuseram ao Rei Balduíno II a criação de uma Ordem de Cavalaria, denominada “Os Pobres Cavaleiros de Cristo”, com a finalidade de proteger os peregrinos e os lugares santos, dos mulçumanos.

A princípio, talvez, a ideia dos Templários seria a de se tornarem monges, seguindo a regra de Agostinho de Hipona, adotada na Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém, mas o Rei Balduíno II os teria convencido a permanecerem como cavaleiros, para protegê-lo, bem como a cidade de Jerusalém.

No Natal de 1119, eles fizeram seus votos de castidade, de pobreza e obediência ao Rei. Assim, Balduíno II reservou-lhes o famoso santuário do século XI antes de Cristo, a Mesquita de Al-Aqsa, na borda sul do monte do templo, conhecida como Templum Salomonis, “Templo de Salomão”. Templo este anteriormente destruído pelos Caldeus e reconstruído por Zorobabel.

Seria esta realmente a missão desses nobres cavaleiros? Embora eles tenham sempre procedido conforme o juramento feito, acredita-se que a verdadeira missão fora encomendada pelo monge e grande iniciado Bernardo de Clairvaux, a qual tinha como objetivo resgatar a Arca da Aliança, as Tábuas da Lei, o Santo Graal, bem como a grande biblioteca judaica, onde se acreditava estarem muito bem guardados os segredos de arquitetura. Esta hipótese tem fortes argumentos porque, após serem instalados no local, eles passaram a explorar as ruínas do velho templo à procura de algo mais, como se estivessem guiados por inspiração divina.

Dessa forma, agiram assim até que encontraram uma entrada secreta que conduzia ao labirinto subterrâneo só conhecido pelos iniciados da Cabala. Ali entrando, seguiram por extensos corredores até encontrarem uma porta chapeada de ouro, o que atiçou em todos a possibilidade de, por trás desta, estarem escondidos os segredos de maior importância para a humanidade.

No espaço de tempo compreendido entre a reação que todos tiveram e o ato de uma decisão, Hugo de Payens adiantou-se e com o punho da sua espada bateu à porta, bradando em voz alta: “EM NOME DE CRISTO, ABRE!”, e esta se escancarou aos olhos vidrados dos cavaleiros presentes, descortinando-se gigantesco recinto.

Vale lembrar que, a própria palavra “Portugal” está ligada a fatos simbólicos. Deriva de “Portucalém”, ou seja, “Porto do Cálice” (relativo às cidades do Porto e Gaia-Calém). Ou seja, Porto (lugar seguro) do Santo Graal. Por isto, encontraram-se referências antigas a Portugal, como: Portugraal ou Porto do Graal. Lugar onde repousa o Santo Sangue Real de Cristo.

A pergunta que até hoje carece de resposta é a seguinte: “Teriam mesmo os cavaleiros do Templo ou os Templários, como assim passaram a ser denominados, encontrado tais segredos”? Alguns pesquisadores acreditam que sim. Se não totalmente, pelo menos uma boa parte. Isto se deve ao fato de Hugo Paynes e seus companheiros terem sido recebidos na Europa, quando regressaram no ano de 1127, com honras e glórias pelos reis e nobres e, em primeiro lugar, pelo Papa.

É bem possível que, somente proteger os peregrinos não tivesse sido mérito o suficiente para tantas honrarias, até porque, a Ordem dos Cavaleiros Hospitalário já o fazia e, nem por isso, seus membros foram, alguma vez, assim recebidos. Acresce-se ainda a convocação do Papa, de um concílio para fixar deveres e privilégios da Ordem do Templo, o Concílio de Troyes.

Neste mesmo ano, o Papa Honório II aprovou a Ordem dos Templários, dando a eles uma vestimenta especial: um hábito branco com uma cruz vermelha no peito. Vale enfatizar também que, os estatutos da Ordem foram escritos pelo monge Bernardo de Clairvaux.

Se isto apenas não bastasse, foi exatamente nessa época, de 1130 a 1180, que se iniciou na Europa uma maciça construção de Igrejas góticas, revolucionária na arquitetura, até então, ainda não conhecida no ocidente, por exemplo, a construção da famosa Catedral de Chartres, cujas dimensões e proporções representam uma medida da Terra e o portal norte desta Catedral é curiosamente chamado de Portal dos Iniciados, tem duas colunetas, sendo em uma delas mostrada a Arca da Aliança transportada por dois bois.

Pode-se dizer que o conhecimento empregado na edificação desta Catedral é uma das provas de que antes dos Templários, somente os construtores das grandes pirâmides detinham esse saber.

Segundo a escritora e pesquisadora Sonja Ulrike Klug, sobre a construção da Catedral Chartres, explicita que, “naquela época, só havia uma organização em condições de realizar tamanho empreendimento: a Ordem dos Templários. Os Templários eram oficialmente a força policial dos grandes mercadores que protegiam também os viajantes contra ladrões e salteadores e providenciava condições para a sobrevivência do comércio e dos mercados”. E, como já dissemos anteriormente, ela também afirma que “foram os Templários que iniciaram o primeiro sistema bancário. Com a prática dos depósitos, eles criaram a conta corrente e estabeleceram esquemas de empréstimos a juros, que eram mais baixos que os exigidos pelos Lombardos e pelos judeus. Introduziram o câmbio e os cheques, criando assim um sistema financeiro que floresceu no Ocidente. O papa lhes concedia importantes privilégios. Eles não se sujeitavam aos senhores feudais e não pagavam impostos”.

Vale destacar que, durante o período de existência da Ordem, os Templários participaram de várias Cruzadas. Guerras estas incentivadas pelo papado, sempre na intenção de proteger ou recuperar os lugares sagrados para os Cristãos. Nessa época, o engajamento de um cavaleiro numa cruzada era considerado uma grande demonstração de supremo sacrifício, um ato de fé, na maioria das vezes pago com a própria vida. Reis, Condes, Barões e o próprio povo participava por diversos motivos. O mais forte era o perdão de seus pecados, muitas vezes oferecidos pelos Papas, ou mesmo por dinheiro ou valores arrebanhados nos saques aos perdedores. Alguns participavam por real idealismo, pelo simples fato de considerarem estar fazendo parte da obra divina.

Certo ou errado, os Templários sempre se distinguiram nas lutas, fazendo questão de estarem sempre na frente de batalha. Eram os primeiros. Devido a esta postura, o desgaste na Ordem do Templo era alto. Seis dos vinte e três Grão-Mestres morreram em combate ou na prisão. Segundo alguns pesquisadores, cerca de vinte mil Templários morreram no além-mar, alguns em combate e outros, preferiram morrer a renunciar a sua fé.

Cabe destacar que, muitas foram as vitórias templárias, mas as derrotas também não foram poucas. Havia respeito mútuo entre os Templários e os combatentes mulçumanos e entre eles, cita-se Saladino, o grande Sultão do Egito e da Síria.

Lembramos que, o segundo combate travado em Hatti foi fatal às Ordens dos Templários e Hospitalários, esta última chegando a perder o seu Grão-Mestre. Nesta batalha, por determinação de Saladino que tomou Jerusalém do domínio cristão, 230 cavaleiros foram decapitados por não renegarem a sua fé, principalmente os Templários.

Vale ressaltar que, Saladino passou a dominar grande parte das cidades ultramar. Esta situação só mudou com a chegada do rei inglês à Terra Santa, Ricardo Coração de Leão. Este rei retomou grande parte das posições perdidas e, após anos de lutas com Saladino, formalizaram pacto para que cristãos e muçulmanos tivessem acesso e trânsito livre inclusive na cidade de Jerusalém, isso foi conquistado tendo em vista que ambos se respeitavam mutuamente.

Ressaltamos que, quanto ao aspecto econômico, desde a sua formação, a Ordem dos Templários recebeu inúmeras doações. Começando pela própria mesquita de Al-Aqsa, o Templo de Salomão. A cada mês, a cada ano, recebiam mais doações. Não só em dinheiro, prata, ouro, peças diversas, mas também castelos, terras etc..., eram doações de reis, príncipes, barões enfim, da nobreza em geral e também outras oriundas dos seus próprios integrantes.

Destacamos que, aos Templários, o papado concedeu a isenção de impostos e até mesmo a permissão de cobrança de algumas taxas. No fim do século XIII, o tesouro templário, além de muitas terras, compunha-se de aproximadamente, 150.000 florins de ouro, 10.000 casas ou solares, inúmeras fortalezas e castelos, pratarias, vasos de ouro e muitas outras preciosidades.

Os Templários também foram os criadores do que posteriormente veio a se chamar de “carta de crédito”, devido a imensa riqueza que passaram a possuir, a qual se encontrava espalhada por toda a Europa.

Nessa linha, lembramos que, quando havia uma necessidade de pagamento assumindo entre reinos, para que não houvesse o risco de roubo no transporte desses valores, após depósito do valor no reinado de origem, bastava que um representante do pagador se apresentasse na Ordem Templária situada no outro reinado, apenas com um papel timbrado Templário, validando a transação, sobre a qual era cobrada uma taxa de serviço.

Eram também os Templários grandes administradores, chegando mesmo a administrar as finanças de Reinos, dentro os quais podemos citar o da Inglaterra e da França, sendo a eles atribuída a criação do sistema bancário.

Podemos destacar que, os Templários promoveram uma enorme expansão comercial entre o Ocidente, Oriente e a Ásia. Implantaram o sistema bancário, dando início ao capitalismo comercial e da pequena indústria. Contudo, apesar de todo o tesouro que possuíam, os Templários viviam uma vida austera, sem luxo ou qualquer tipo de ostentação.

Mesmo tendo uma visão religiosa, os Templários estavam, inicialmente, menos próximos ao catolicismo do que os Cruzados, bem como em sua missão, de fato, predominavam os interesses econômicos em geral.

Vale lembrar que, Reis, príncipes e papas recorreram a empréstimos nos cofres da Ordem para suprirem gastos com as suas administrações e, até mesmo, particulares. Tudo isto acabou incitando a inveja de muitos. As próprias Ordens coexistentes, dos Teutônicos e dos Hospitalários, principalmente esta, que chegou a reclamar ao papado sobre a diferenciação de tratamentos, mas o pior ainda estava por vir.

Ressaltamos que, nesse cenário de intrigas e inveja, duas figuras foram de fundamental importância para a construção destes fatos: o Rei de França, Felipe IV, também conhecido como Felipe “o belo” e o Papa Clemente V.

A partir daí, foi arquitetado um plano para provocar a destruição da Ordem através da difamação. Para tanto, contaram com a ajuda de Esquieu Floryan, ex-Prior da Ordem, expulso como perjuro e traidor de Nogaret, Ministro do Reino de França, ex-filiado do templo, que também havia sido expulso da Ordem. Assim, foram forjadas e apresentadas todas as acusações de degradação, possíveis e imagináveis, que naquela época pudessem fundamentar a abertura de um processo de inquisição da Igreja Católica, o que foi feito.

Salientamos que, muitos foram os motivos que o Rei Felipe possuía para engendrar esse plano. Assim, podemos citar que, apesar do Grão-Mestre ser padrinho de um dos seus filhos, foi recusado por duas vezes o ingresso do rei na Ordem, como membro honorário.

 

Ainda, por várias vezes Felipe recorreu aos cofres da Ordem, para si próprio e para a Coroa da França: em 1297, mil e quinhentas libras de ouro; no ano seguinte, mil e seiscentos florins e; em 1300, setecentos e cinquenta mil florins para repor o dote de sua irmã e resgatar dívidas particulares. Sua administração era tão ruim que, em 1306 provocou uma desvalorização da moeda, causando revolta popular e, temendo a fúria do povo, pediu proteção aos Templários, que lhe permitiam refugiar-se no interior de seu templo em Paris. Este era Felipe.

A ascensão ao papado do Cardeal Bertand, posteriormente chamado de Clemente V, ocorreu com o efetivo apoio do rei, que entre outras exigências, como a destruição dos Templários, solicitou a mudança da Santa Sé, para Avignon, no território francês. Um Papa bastante comprometido com o poder e obviamente sob o julgo do rei de França.

Utilizando sua influência e desconsiderando o poder único do Papa, apenas ao qual os Templários deviam obediência, Felipe manda prender, no próprio castelo da Ordem, o Grão-Mestre Templário Jacques de Molay, Geoffroy de Charnay e outros, que ficaram prisioneiros por 7 anos e sujeitados a tortura pela inquisição, para confessar os crimes que lhes foram impostos.

Dias após a esses episódios, surgiram em toda Europa, protestos e reações dos demais reinados contra tal ato. Durante todos esses anos, o Papa, mesmo tendo a sua autoridade constantemente solapada pelo rei de França, receando a imensa pressão externa dos demais reinados, vinha através de tímidas declarações escritas, concordando com a inocência dos Templários, até que algo o fez desistir da resistência que vinha opondo ao rei de França.

No dia 18 de março de 1314, Jacques de Molay, o último Grão-Mestre Templário e seu principal assessor Geoffroy Charnay e Guy d’Auvergnie, irmão de Delfim de Auvernia foram levados para morrerem queimados em uma grande fogueira construída com esse propósito.

No momento em que as chamas começaram a queimar suas carnes, Jacques de Molay proferiu a célebre frase: NECAM ADONAI (vingança Senhor). Convoco o Rei e o Papa a prestarem diante de Deus, no prazo de um ano, contas pelas injustiças que contra a Ordem dos Templários são hoje cometidas. Coincidência ou não, tanto o Papa como o Rei cumpriram a convocação.

Vale destacar que, durante a sentença de morte, Jacques De Molay teria dito que, tanto o rei Felipe quanto o Papa Clemente V não passariam daquele ano com vida. Assim é que, passado menos de um mês de sua execução, o Papa Clemente V morreu. O rei Felipe morreu em 29 de dezembro do mesmo ano, durante uma caçada em que caiu do cavalo e foi estraçalhado por um javali.

Concluindo, será que teriam se tornado inúteis todos os esforços feitos por esses nobres cavaleiros? Não, claro que não. Certamente seus exemplos de honradez, coragem e determinação foram e serão perpetuados por outros. Hoje não mais na cavalaria medieval, mas sim consubstanciada agora nos mais altos valores éticos, morais e espirituais, nutridos pelo verdadeiro Maçom, herdeiro legítimo dos Templários.

 

 

AILDO VIRGINIO CAROLINO

Grão-Mestre Adjunto

Presidente do CEO

 
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