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1822: A FUNDAÇÃO DO GRANDE ORIENTE DO BRASIL E A INDEPENDÊNCIA PDF Imprimir E-mail
Escrito por Sec:. Estadual de Gabinete   
13-Set-2017

1822: A FUNDAÇÃO DO GRANDE ORIENTE DO BRASIL E A INDEPENDÊNCIA

 

O Grande Oriente do Brasil nasceu do objetivo de Independência política do Brasil, existente nas várias associações ou sociedades secretas que antecederam a sua fundação.
Segundo Kurt Prober, essas associações tiveram início em 1724 e se estenderam até o início do século XIX, o que nos permite considerá-las como o embrião da maçonaria no Brasil. Embora, essas entidades não fossem estritamente maçônicas, carregavam em si seus ideais e espírito.
Vale ressaltar que, a Fundação do Grande Oriente do Brasil e a Proclamação da Independência são dois fatos históricos intimamente interligados, não só pela participação direta e efetiva de grandes Maçons, mas pelo próprio fato de que o ano da nossa Independência também registra o de nascimento do Grande Oriente do Brasil, ocorrido em 17 de Junho de 1822.
Lembramos que a Loja Comércio e Artes, considerada a Primaz do Brasil, foi fundada em 15 de Novembro de 1815, subordinando-se inicialmente ao Grande Oriente Lusitano. Ela foi de suma importância para o projeto de Independência política do Brasil.
Todavia, com o Alvará de 30 de março de 1818, em que o Príncipe Regente D. João proibia a existência de quaisquer sociedades secretas em Portugal e em todos os seus domínios, a Loja Comércio e Artes acabou por suspender seus trabalhos.
Somente em 24 de junho de 1821, após o retorno de D. João VI para Portugal, é que ocorreu a reinstalação da referida Loja, sob o título distintivo de Loja Comércio e Artes na Idade do Ouro e que tinha por principal objetivo, a emancipação política do Brasil.
A Loja Comércio e Artes foi reinstalada na casa do capitão-de-mar-e-guerra José Domingues de Ataíde Moncorvo, situada à Rua do Fogo (atual rua dos Andradas), esquina da rua das Violas (atual Teófilo Otoni), e contava com grande número de obreiros, no início de 1822.
Por essa razão, no início do ano de 1822, ficou decidido pelos Irmãos da Loja Comércio e Artes a redistribuição de seus obreiros em três Lojas. Esse desdobramento que tinha objetivos políticos definidos, visava formar a base para a criação de uma Obediência de âmbito nacional, que congregasse e representasse todos os maçons do Brasil. Dessa forma, compôs-se um conjunto de três Lojas, a saber:
A Loja Comércio e Artes que simboliza a idade do Ouro.
A Loja União e Tranquilidade simbolizando as palavras de D. Pedro, na varanda do paço, em 9 de janeiro de 1822, dia do Fico. Nesse sentido, Kurt Prober afirma que, para a escolha do nome distintivo da Loja, havia também a opção do nome “Nove de Janeiro”, alusiva ao dia do Fico. Essa opção não teve o apoio da maioria, prevalecendo, assim, União e Tranquilidade.
E, por última, a Loja Esperança de Niterói que simbolizava um projeto ambicioso, o qual visava a emancipação do então Reino português desse continente americano, ou seja, objetivava afastar deste continente o domínio de Portugal.
No momento do desdobramento da Loja Comércio e Artes, em mais duas Lojas, ficou também decidido que seus membros seriam identificados por uma fita colocada no braço. Assim, os membros da Loja Comércio e Artes receberam uma fita de cor branca; os membros da Loja União e Tranquilidade, de cor azul; e os Irmãos da Loja Esperança de Niterói, de cor vermelha. Essa classificação servia para identificar a qual das Lojas o Irmão pertencia.
É importante ressaltar que, os membros dessas três Lojas foram designados por sorteio, sendo elas assim constituídas:
 

LOJA COMÉRCIO E ARTES Nº 1:

 

Venerável – Manuel dos Santos Portugal.
1º Vigilante – Tomás José Tinoco de Almeida.
2º Vigilante – Domingos Ribeiro dos Guimarães Peixoto.
Orador – Padre Francisco de Santa Tereza Sampaio.
Secretário – Brigadeiro Domingos Alves Branco Muniz Barreto.
Tesoureiro – Antônio José de Sousa.
Mestre de Cerimônias – Joaquim Nunes de Carvalho.
Experto – Guilherme Cipriano Ribeiro.
Cobridor – Pedro Orsini Grimaldi.
 
Membros: Cirurgião-Mor Francisco Mendes Ribeiro, João Mendes Viana, João Ewbank, Tomás Soares de Andrade, Francisco Xavier Ferreira, Joaquim José Ribeiro de Barros, Francisco Antônio Rodrigues, Cônego Belchior Pinheiro de Oliveira, Francisco Bibiano de Castro, José de Almeida Saldanha, Manoel José de Oliveira, Manuel Joaquim Correia da Silva, Joaquim Ferreira Franco, Francisco da Silva Leite, João Fernandes Tomás, Inácio Joaquim da Silva Leite, João Fernandes Tomás, Inácio Joaquim de Albuquerque, Antônio Correia Picanço, Padre Januário da Cunha Barbosa, João Francisco Nunes, Luís Pereira da Nóbrega de Sousa Coutinho, João Pedro de Araújo Saldanha, Manuel Carneiro de Campos e Manuel da Fonseca Lima e Silva.
 

LOJA UNIÃO E TRANQÜILIDADE Nº 2:
 
Venerável – Albino dos Santos Pereira.
1º Vigilante – José Joaquim de Gouveia.
2º Vigilante – Joaquim Valério Tavares.
Orador – José Clemente Pereira.
Secretário – José Domingues de Ataíde Moncorvo.
Tesoureiro – José Cardoso Neto.
Mestre de Cerimônias – João José Dias Camargo.
Experto – Francisco de Paula Vasconcelos.
Cobridor – Manuel Joaquim Meneses.
 
Membros: João Luís Fernando Drumond, Domingos Alves Pinto, Luís Manuel de Azevedo, José de Sousa Teixeira, João Militão Henriques, Francisco José dos Reis Alpoim, Manuel Pinto Ribeiro Pereira de Sampaio, Samuel Wook, João da Costa Silva, José Joaquim dos Santos Marrocos, Antônio dos Santos Cruz, Miguel de Macedo, José Joaquim dos Santos Lobo, José Inácio Albernaz, João Antônio Pereira, Eusébio José da Cunha, Padre Manuel Teles Ferreira Pita, Cipriano Lerico, João da Silva Feijó, João Bernardo de Oliveira Barcelos, Joaquim Gonçalves Ledo, Luís Ciríaco e Domingos José de Freitas.
 

LOJA ESPERANÇA DE NITERÓI Nº 3:
 
Venerável – Pedro José da Costa Barros.
1º Vigilante – Ruy Germark Possolo.
2º Vigilante – José Maria da Silva Bittencourt.
Orador – Dr. João José Bahia.
Secretário – João Antônio Maduro.
Tesoureiro – João da Silva Lomba.
Experto – Manuel Inocêncio Pires Camargo.
Cobridor – Padre João José Rodrigues de Carvalho Coleta.
 
Membros: José Rodrigues Gonçalves Vale, Inocêncio de Accioli Vasconcelos, Herculano Otaviano Muzzi, José Bonifácio de Andrada e Silva, Frei Carlos das Mercês Micheli, Luís Pereira da Silva Manuel, Manuel Gaspar Moreira, Dr. José da Cruz Ferreira, João Ribeiro de Castro Braga, Antônio José de Lança, Fernando José de Melo, Francisco das Chagas Ribeiro, Guilherme Tompson, Belarmino Ricardo Siqueira, Manuel José da Silva Sousa, José da Cunha Santos, Manuel Joaquim de Oliveira Alves, Francisco Antônio Leite, Ricardo Alves Vilela, Inácio José de Araújo e Luís Manuel Pinto Lobato.
Originalmente, o total de obreiros da Loja Comércio e Artes, contando-se os membros acima sorteados, para compor os quadros das três Lojas, eram de 95. Destes, 32 ficaram na Loja Comércio e Artes, 32 foram formar a Loja União e Tranquilidade e 31 formaram a Loja Esperança de Niterói.
Cabe destacar que, o primeiro Rito praticado pelo Grande Oriente do Brasil foi o Adonhiramita, sendo a Loja Mineiros Reunidos a primeira a se filiar, em 31 de julho de 1822, mesmo ano em que abateu colunas, segundo alguns historiadores maçônicos.
Tendo em vista que, o Grande Oriente do Brasil completou 195 anos de fundação, no dia 17 de junho de 2017, consideramos importante rememorar a composição da sua Primeira Administração, paralelamente a da atual:
 
Primeira Administração do GOB
Grão-Mestre
José Bonifácio de Andrada e Silva
Delegado do Grão-Mestre
Marechal Joaquim de Oliveira Alvares
1º Vigilante
Joaquim Gonçalves Ledo
2º Vigilante
Capitão João Mendes Viana
Grande Orador
Cônego Januário da Cunha Barbosa
Grande Secretário
Capitão Manoel José de Oliveira
Grande Chanceler
Francisco das Chagas Ribeiro
Promotor Fiscal
Coronel Francisco Luís Pereira da Nóbrega
Grande Cobridor
João da Rocha
Grande Experto
Joaquim José de Carvalho
Atual Administração do GOB
Grão-Mestre Geral
Marcos José da Silva
Grão-Mestre Geral Adjunto
Eurípedes Barbosa Nunes
Como podemos observar, no início de sua fundação, o Grande Oriente do Brasil funcionava com um sistema de governo semelhante ao de uma Grande Loja. Porém, após a Proclamação da República no Brasil, o GOB passou a funcionar, tal como hoje conhecemos, com um sistema federativo, que teve como um de seus idealizadores, o Conselheiro Macedo Soares.
Concluímos ressaltando a importância histórica do Grande Oriente do Brasil, a maior Obediência Maçônica Regular e Reconhecida da América Latina, cuja história se confunde com a própria História de nosso País, pois, a partir de sua fundação foram criadas as bases efetivas de nossa Independência.
Vale ressaltar que, não nos referimos apenas a história política que, atualmente, muito nos envergonha, mas àquela composta por bravos e retos maçons que fizeram parte do período histórico mais emblemático e positivamente proativo da Maçonaria no Brasil.
Finalmente, precisamos nos lembrar de que, todos nós, maçons do GOB, devemos refletir sobre o legado que os nossos grandes Irmãos do passado nos deixaram: a responsabilidade de mantermos em destaque nossa Ordem, de repensarmos nosso papel frente ao Grande Oriente do Brasil, sobretudo em nosso Estado, berço da História da Maçonaria brasileira.
 
 
AILDO CAROLINO
 
Grão-Mestre Adjunto
Presidente do CEO
Atualizado em ( 13-Set-2017 )
 
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