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MAÇONARIA E O MOVIMENTO REPUBLICANO BRASILEIRO PDF Imprimir E-mail
Escrito por Sec:. Estadual de Gabinete   
14-Nov-2017
MAÇONARIA E O MOVIMENTO REPUBLICANO BRASILEIRO

1. MAÇONARIA:

 
Podemos definir a Maçonaria como uma instituição que tem por objetivo tornar feliz a humanidade através do amor fraternal e do aperfeiçoamento humano.
A Maçonaria é uma escola filosófica de aperfeiçoamento ético, moral e que busca o desenvolvimento humano. Ou seja, a Maçonaria é uma escola de construtores sociais e formadores de líderes, inspirados nos princípios universais da solidariedade e da justiça.
Em síntese, o objetivo da Maçonaria é auxiliar o desenvolvimento da humanidade como sociedade organizada, movida pelo supremo ideal de servir, de construir uma sociedade mais saudável e um mundo melhor.
A história da Maçonaria se perde no tempo. Sua origem pode ser milenar ou de tempos imemoriais. Assim, temos que o maçom é, antes de tudo, um construtor social desde os tempos mais remotos da nossa civilização.
 
2. MAÇONARIA E REPÚBLICA:
 
É bem provável que, em razão de se buscar uma sociedade mais justa e perfeita, no Brasil, tentou-se implantar um modelo de governo que mais se aproximasse do propósito republicano.
Tendo em vista o ideal social maçônico, podemos destacar a influência de nossa Ordem em diversos momentos da História brasileira, sobretudo quanto a implantação da República em nosso país.
Podemos dizer que, esse ideal republicano se iniciou há, aproximadamente, 100 anos antes da Proclamação da República, propriamente dita.
Vale dizer ainda que, a essência desse sistema já se fazia presente até mesmo antes da nossa Independência, sendo fomentado já com a fundação das sociedades literárias, bem como com o surgimento de vários movimentos que se levantaram no Brasil, objetivando a independência e a implantação de uma República.
Nesse sentido, como exemplo e marco inicial dessa ideologia republicana, podemos destacar a Inconfidência Mineira (1789). Seguida a ela, apresentamos outros movimentos, como a Inconfidência Baiana, conhecida como a Revolução dos Alfaiates (1798); a Revolução Pernambucana (1817), a Confederação do Equador (1824); além do Pará e Amazonas que chegaram a Proclamar a República (1834); a Revolução Farroupilha, que criou a República Rio-Grandense (1835); e a Revolução Liberal (1842), liderada por São Paulo e Minas Gerais.
Vale ressaltar que, a Maçonaria Brasileira abrigava grandes e influentes homens, além da maioria da nossa elite intelectual. Homens respeitáveis, que foram vanguardistas e pioneiros em diversos campos de atuação, como por exemplo, cultural e político.
Tanto era dessa forma que, na pré-república, bem como nos seus primeiros dias, a República do Brasil foi, predominantemente, composta por Maçons de grande expressão junto a sociedade. Contudo, essa representatividade política atualmente não possui o mesmo destaque, muito pelo contrário.
Assim, de maneira discreta, a República Brasileira foi sendo planejada e implantada por grandes e valorosos maçons. Um forte exemplo dessa atuação maçônica pode ser visto na bandeira do movimento pró-republicano e, a princípio, separatista da Inconfidência Mineira, que continha um triângulo equilátero com as inscrições “Libertas Quae Será Tamen” (Liberdade ainda que tardia).
Nesse sentido, além dos movimentos que citamos, podemos destacar ainda a fundação do Areópago de Itambé, em Pernambuco, no ano de 1796. E, no ano seguinte, em 1797, a fundação da “Loja” Cavaleiros da Luz, na povoação da Barra, na Bahia, ensejando a Conjuração dos Alfaiates ocorrida em 1798, neste Estado e a qual teve participação e liderança de Maçons.
Dessa forma, é preciso deixar registrado que, enquanto Instituição, a Maçonaria não participou oficialmente do processo pró-republicano, uma vez que, nesse período, não havia uma organização maçônica de âmbito nacional, que congregasse todas as Lojas até então existentes.
Contudo, várias Lojas Maçônicas e um grande número de Maçons aprovaram Moções contrárias ao Terceiro Reinado, no entanto, sendo favoráveis, a implantação da República.
3. UMA OBSERVAÇÃO IMPORTANTE:
Embora todos esses movimentos tivessem tido em seu bojo o viés republicano, vale destacar que, a organização “política” do Quilombo do Palmares (1630-1697), já continha em si os traços desse sistema.
Nas palavras de Raymundo Faoro, Zumbi é considerado o primeiro símbolo e o primeiro mito do Brasil, isto é, o despertar de uma nova sociedade brasileira (com viés republicano).
Com sua expressão precoce, emergida do solo da escravidão, para perder-se altivamente no sertão, esquecida do mar, que lhe lembraria o caminho da volta. Ele foi o arauto negro da pátria livre e com práticas socialistas republicanas, que recolheria em seu seio, sem distinção, homens e mulheres de todas as raças, indistintamente (“socialismo republicano”, grifo nosso).
 
4. A REPÚBLICA:

 

Após longa caminhada, caía a monarquia e nascia a República Brasileira.
O Brasil mudava a sua forma de governo, sem revolucionar a sociedade, que ficou alheia a este processo. Trocamos de bandeira, separamos Igreja do Estado, fizemos uma nova Constituição sem a participação do povo. Porém, tudo foi feito no clima de ordem o qual interessava, principalmente, a classe dominante.
Assim, na noite de 15 de Novembro de 1889, formou-se o Governo Provisório da República, chefiado pelo Presidente do recém formado Clube Militar, o Marechal Deodoro da Fonseca, que, até há bem pouco tempo, era monarquista e bem próximo ao Imperador D. Pedro II.
É importante salientar que, em 19 de Dezembro de 1889, o Marechal Deodoro da Fonseca foi eleito Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil, sendo empossado no dia 24 de Março de 1890 e tendo renunciado em 18 de Dezembro de 1891, já bastante enfermo.
Ressaltamos que, seu substituto, no Grande Oriente, foi o Conselheiro Antônio Joaquim de Macedo Soares, criador do sistema federativo do GOB, similar ao do Brasil.
Vale destacar que, em 26 de Fevereiro de 1891, Deodoro da Fonseca foi eleito Presidente da República, tendo como vice o Marechal Floriano Peixoto. Contudo, no dia 23 de Novembro do mesmo ano, Deodoro renunciou ao cargo de Presidente da República.
 
Nota:
 
Na eleição presidencial desse período, os candidatos disputavam a presidência e a vice-presidência de forma separada.
Sendo que, nesta primeira eleição presidencial do Brasil, Marechal Deodoro da Fonseca concorreu ao cargo de Presidente, apoiando como vice-presidente o Almirante Eduardo Wandenkolk.
A chapa de oposição foi composta pelo Senador Prudente de Morais e Barros, que apoiava o Marechal Floriano Peixoto para a vice-presidência.
Lembramos que, a recém formada República dos “Estados Unidos do Brazil” teve seu Primeiro Ministério todo composto por maçons: Marechal Manuel Deodoro da Fonseca, chefe do governo provisório; Aristides da Silveira Lobo, ministro do Interior; Ruy Barbosa, ministro da Fazenda e interinamente da Justiça; tenente-coronel Benjamin Constant Botelho de Magalhães, ministro da Guerra; chefe de esquadra Eduardo Wandenkolk, ministro da Marinha; Quintino Bocayuva, ministro das Relações Exteriores e interinamente da Agricultura, Commercio e Obras Públicas, sendo posteriormente nomeado Demétrio Ribeiro para este cargo; e Campos Salles como Ministro da Justiça.
Podemos citar que, foram republicanos de primeira hora, dentre tantos outros, os seguintes Maçons: Quintino Bocayuva (Grão-Mestre do GOB, de 1901 a 1904), Prudente Moraes (Presidente do Brasil, de 1894 a 1898), Campos Salles (Presidente do Brasil e 1898 a 1902), Silva Jardim, Rangel Pestana, Francisco Glicério, Américo de Campos, Pedro Toledo (Grão-Mestre do Grande Oriente do Estado de São Paulo, de 1908 a 1913), Américo Brasiliense, Ubaldino do Amaral, Aristides Lobo, Bernardino de Campos.
Reza a história que, Benjamin Constant em reunião do Clube Militar foi convidado a assumir a chefia do governo republicano, mas recusou. Contudo, acabou por receber o título de “Fundador da República Brasileira” (ou Pai da República no Brasil).
Além desses nomes importantes, é imprescindível destacar Joaquim Gonçalves Ledo, uma das maiores lideranças pró-republicana no Rio de Janeiro.
Mesmo antes da Independência do Brasil, Gonçalves Ledo defendia o rompimento total com a metrópole portuguesa, e um Brasil republicano. Ideia essa que conflitava com a posição de José Bonifácio, que defendia a ideia de independência dentro de um sistema monárquico.
Dentre as primeiras mudanças do Governo Provisório, destacamos: O Federalismo: as províncias foram transformadas em estados-membros; Criação do Distrito Federal: sede do Governo Federal; Separação da Igreja do Estado: o Estado deixou de interferir na Igreja Católica e vice-versa; Criou-se o registro civil de nascimento, casamento civil, o catolicismo deixou de ser a religião oficial do Estado; Naturalização automática dos estrangeiros residentes no Brasil, exceto se houvesse manifestação em contrário; Bandeira republicana com a inscrição “Ordem e Progresso”; Assembleia Constituinte: primeira Constituição da República, em 24/02/1891.
Destacamos ainda que, a nossa Constituição republicana estabelecia várias mudanças, menos na vida das classes menos favorecidas. Nessa linha, apontamos algumas dessas mudanças: Forma de Governo: República (Presidente, Governador, Prefeito, Senador, Deputado e Vereador); Forma de Estado: Federalismo (Estados membros); Sistema de Governo: Presidencialismo; Divisão de Poderes, independentes e harmônicos entre si: Legislativo; Executivo; e Judiciário.
Voto universal: maiores de 21 anos, exceto para analfabetos, mulheres, sodados etc. (o voto era aberto).

Com isso, vale lembrar que, o Preâmbulo da Primeira Constituição Republicana do Brasil: 1891 – “Nós os Representantes do Povo Brasileiro, reunidos em Congresso Constituinte, para organizar um regime livre e democrático, estabelecemos, decretamos e promulgamos a seguinte Constituição da REPÚBLICA DOS ESTADOS UNIDOS DO BRASIL”.
 
Nota:
 
Destacamos que, durante as discussões acerca do Preâmbulo da Constituição de 1988, travou-se um diálogo entre um jovem Deputado de primeira legislatura com o expediente parlamentar Nelson Carneiro, então Senador da República e já com cerca de 50 anos de vida parlamentar. O Deputado tentou convencê-lo sobre a desnecessidade da menção de Deus no Preâmbulo. O velho Senador o ouviu atentamente e, em seguida, sentenciou: “Meu filho, eu estou muito mais perto Dele do que você, acho que é melhor agradá-Lo”.
 
5. MAÇONARIA E SOCIEDADE:
 
Revisitar nosso passado maçônico é reavivar o compromisso de disseminar e arraigar, em nós maçons e na nossa sociedade, os Princípios e Fundamentos da Maçonaria, que podemos resumir em ética, moral, solidariedade e justiça.
É necessário enfatizar que, a solidariedade deve sobrepor-se à filantropia, uma vez que esta, simplesmente, “dá o peixe” ao passo que, aquela “ensina a pescá-lo”, ou seja, na filantropia, a fome é saciada por um dia; já na solidariedade, a fome pode ser afastada para sempre. Portanto, é hora de todos nós sermos cada vez mais solidários.
Contudo, apesar de toda nossa caminhada até aqui, nesse processo de tentar reconstruir uma sociedade mais justa e fraterna, nós maçons precisamos, primeiramente, RECONSTRUIRMOS A NÓS MESMOS, para então nos apresentarmos à sociedade, como verdadeiros construtores sociais, sobretudo através de nossa postura digna e reta, ou seja, pelo nosso bom exemplo. Esse é e deve continuar sendo o nosso mais importante compromisso.
Infelizmente, hoje, com raras e honrosas exceções, vivemos em uma sociedade corrompida e degrada pela falta de ética, de moral, de bons costumes e, sobretudo, carente de uma educação pública e de qualidade para todos, ou seja, que possamos traduzir como igualdade de oportunidade para todos.
Acreditamos que, nós maçons devemos nos mostrarmos e sermos, efetivamente, o oposto de tudo isso. Devemos manter uma postura ético-moral que nos coloque como paradigma para a nossa sociedade.
Mais uma vez, lembramos que, a finalidade precípua da Maçonaria é a paz, o bem-estar e o aperfeiçoamento ético e moral da humanidade. Razão pela qual, embora desconheçamos seus criadores ou fundadores, acreditamos que ela seja fruto das mais nobres reflexões e experiências de filósofos, pensadores e humanistas, de várias civilizações.
Reiteramos que, a Maçonaria é um instrumento de transformação social. Mas, para que isso ocorra de fato, é preciso PROATIVIDADE positiva, UNIÃO e COMPROMETIMENTO de todos nós, maçons.
 
6. ALGUNS DEVERES DO MAÇOM:
 
Enfatizamos que, os deveres e compromissos que assumimos, desde o ingresso na Ordem, devem ser uma prática constante para nós maçons. Por essa razão, consideramos importante destacar, a seguir, alguns desses deveres: Deveres para consigo mesmo, que consistem na obrigação de administrar sua própria vida de acordo com os princípios da moral, da ética e da justiça;
Deveres com a família, que consiste na plena conscientização de que ela é a célula mater da sociedade. Todo amor, respeito e bons costumes devem ser dispensados para a manutenção dessa sagrada instituição;
Deveres para com o próximo, que significa tratar aos nossos semelhantes com urbanidade, consideração e bondade, sendo solidário e exemplo das grandes virtudes;
Deveres com a Pátria, que consiste em ser um cidadão honrado e reto, respeitando às leis e às autoridades constituídas, a fim de que tudo concorra para o engrandecimento de seu povo;
Deveres para com a humanidade, que significa trabalhar incessantemente pela felicidade do nosso semelhante e ser um elo de paz para todos os habitantes do planeta, pois, somos todos filhos do mesmo GADU, que é Deus; e
Deveres para com o GADU, que consiste em “Amar a Deus sobre todas as coisas” e “ao próximo como a nós mesmos”, conforme reza o Livro Sagrado.
Nesse mesmo sentido, ressaltamos que, para ser um maçom de fato não basta apenas ingressar na Ordem. Ou seja, se faz necessário estarmos comprometidos com as regras, princípios e fundamentos estabelecidos pela nossa Instituição.
Além disso, temos que refletir sobre como exercemos nossa cidadania, pois, para evoluirmos de forma humanista é imprescindível estarmos conscientes do nosso papel na sociedade.
Assim, vale ratificar outros, dentre vários, Princípios e Deveres assumidos por nós, Maçons: Liberdade com responsabilidade;
Amor à família, fidelidade e devotamento à Pátria e obediência à Lei;
A divulgação de sua doutrina pelo exemplo e pela palavra;
Quando ingressamos na Ordem, nos comprometemos a buscar nosso aperfeiçoamento ético, moral, intelectual e social, por meio do cumprimento inflexível do dever.
 
7. CONCLUSÃO:
 
Concluímos ressaltando que, a cada degrau que ascendemos ou evoluímos, não devemos nos esquecer de que serão pelos nossos exemplos e ações que seremos lembrados e, através deles é que poderemos construir uma sociedade melhor, mais fraterna, mais solidária e mais justa.
Dessa forma, concitamos a todos, Maçons ou não, para despertar em si o senso e o compromisso com as responsabilidades assumidas, com o zelo e o altruísmo a fim de que possamos, verdadeiramente, vivermos a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade, tão almejadas por todos nós.
Finalmente, que todos nós possamos sempre buscar e primar pela educação, pois, ela é um dos instrumentos mais valiosos e poderosos de que dispomos para construirmos uma sociedade sob os ideais maçônicos e, assim, termos, a tão sonhada igualdade de oportunidades para todos.
 
Muito obrigado!
 

AILDO CAROLINO
Grão-Mestre Adjunto
Presidente do CEO

 

 

 

 

 

 

Atualizado em ( 14-Nov-2017 )
 
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