OS PRIMEIROS CONSTRUTORES DA NOSSA REPÚBLICA

OS PRIMEIROS CONSTRUTORES DA NOSSA REPÚBLICA

A história do Brasil e a atuação da Maçonaria no país estão, como já dissemos em outros textos, intrinsecamente relacionadas. Dessa forma, ao falarmos sobre um fato histórico, como a instituição do regime republicano no país, fica impossível não ressaltarmos o nome de alguns Maçons que estiveram à frente desse importantíssimo movimento, que ainda hoje carece de aperfeiçoamento.

Assim, vale destacar que, a Maçonaria Brasileira abrigava grandes e influentes homens, além da maioria da nossa elite intelectual. Homens respeitáveis que foram vanguardistas e pioneiros em diversos campos de atuação, como por exemplo, cultural e político.

Tanto era assim que, na pré-república, bem como nos seus primeiros dias, a República do Brasil foi predominantemente composta por Maçons de grande expressão junto a sociedade. Contudo, essa representatividade política atualmente não possui o mesmo destaque, muito pelo contrário.

A bem da verdade, não houve, assim como na Independência (1822), uma mobilização oficial da Instituição Maçônica (Grande Oriente do Brasil), apesar de várias Lojas terem sido favoráveis à implantação do sistema republicano.

Portanto, é preciso deixar registrado que, embora a Maçonaria, enquanto Instituição, não tenha participado oficialmente do processo pró-República, várias Lojas Maçônicas e um grande número de Maçons aprovaram Moções contrárias ao Terceiro Reinado, sendo favoráveis, no entanto, a implantação da República.

Vale lembrar que, a então herdeira do trono e Princesa Regente, a Princesa Isabel gozava de grande simpatia junto ao povo brasileiro e que o mesmo não ocorria em relação ao seu marido, o príncipe francês Gastão. O Conde d’Eu, como também era conhecido, era rejeitado pelos brasileiros e o temor de que ele viesse a assumir a Coroa brasileira, fomentou ainda mais o ideal de ruptura do sistema monárquico no país, passando-se, dessa forma, para a instauração da República no Brasil.

Ressaltamos que, das várias Lojas Maçônicas que lançaram manifesto em favor da República, podemos destacar a Loja Independência, de São Paulo e a Regeneração III, de Campinas.

Também não podemos deixar de dizer que, algumas Lojas manifestaram-se a favor ou enaltecendo a Princesa Isabel, que exercia a Regência do Império, uma vez que, D. Pedro II, estava fragilizado pela doença.

É importante ressaltar que, em 19 de Dezembro de 1889, o Marechal Deodoro da Fonseca foi eleito Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil, sendo empossado no dia 24 de Março de 1890, tendo renunciado em 18 de Dezembro de 1891, já bastante enfermo. Seu substituto foi o Conselheiro Antônio Joaquim de Macedo Soares, criador do sistema federativo do GOB, similar ao do Brasil.

Em 26 de Fevereiro de 1891, Deodoro da Fonseca foi eleito presidente da República, tendo como vice Marechal Floriano Peixoto. No dia 23 de Novembro do mesmo ano, Deodoro renunciou ao cargo de Presidente da República.

Vale destacar que, em 15 de Novembro de 1890, foi instalado o Congresso Constituinte que, a 24 de Fevereiro de 1891 aprovou e promulgou a Primeira Constituição da República.

Assim, a título de ilustração, destacamos abaixo, a Carta ao Povo Brasileiro da, Proclamação da República:

Instalado o Governo Provisório, nas primeiras horas do dia 15 de novembro de 1889, logo após a proclamação da República, foi lançada, ao povo, a seguinte conclamação:

Concidadãos!

O povo, o Exército e a Armada nacional, em perfeita comunhão de sentimentos com os nossos concidadãos residentes nas províncias, acabam de decretar a deposição da dinastia imperial e consequentemente a extinção do sistema monárquico representativo.

Como resultado imediato desta revolução nacional, de caráter essencialmente patriótico, acaba de ser instituído um governo provisório, cuja principal missão é garantir a ordem publica, a liberdade e o direito do cidadão.

Para comporem este governo, enquanto a nação soberana, pelos seus órgãos competentes, não proceder à escolha do governo definitivo, foram nomeados pelos chefes do poder executivo os cidadãos abaixo assignados.

Concidadãos!

O governo provisório, simples agente temporário da soberania nacional, é o governo da paz, da liberdade, da fraternidade e da ordem.

No uso das atribuições e faculdades extraordinárias de que se acha investido para a defesa da integridade da pátria e da ordem publica, o governo provisório, por todos os meios ao seu alcance, promete e garante a todos os individuais e políticos, salvas, quanto a estes, as limitações exigidas pelo bem da pátria e pela legitima defesa de governo proclamado pelo povo, pelo Exército e pela Armada nacional-es.

Concidadãos!

As funções da justiça ordinária, bem como as funções da administração civil e militar, continuarão a ser exercidas pelos órgãos até aqui existentes, com relação aos atos na plenitude dos seus efeitos; com relação ás pessoas, respeitadas as vantagens e os direitos adquiridos por cada funcionário.

Fica, porém, abolida, desde já, a vitaliciedade do Senado, e bem assim abolido o Conselho de Estado. Fica dissolvida a Câmara dos Deputados.

Concidadãos!

O governo provisório reconhece e acata todos os compromissos nacionais, contraídos durante o regi-me anterior, os tratados subsistentes com as potencias estrangeiras, a divida publica externa e interna, os contratos vigentes e mais obrigações legalmente estatuídas.

(Ass.) Marechal Manuel Deodoro da Fonseca, chefe do governo provisório; Aristides da Silveira Lobo, ministro do Interior; Ruy Barbosa, ministro da Fazenda e interinamente da Justiça; tenente-coronel Benjamin Constant Botelho de Magalhães, ministro da Guerra; chefe de esquadra Eduardo Wandenkolk, ministro da Marinha; Quintino Bocaiuva, ministro das Relações Exteriores e interinamente da Agricultura, Comércio e Obras Publicas.

Obs.: Trata-se do 1º Documento Oficial da República do Brasil, de cujos signatários eram todos maçons.

Embora, como pode ser observado pela transcrição da Carta acima, quando da sua assinatura e divulgação ao povo e ao Imperador D. Pedro II, não estiveram presentes Campos Salles e Demétrio Ribeiro, os quais fizeram parte do Primeiro Ministério da República, sendo este Ministro da Agricultura, Comércio e Obras Públicas e aquele, Ministro da Justiça.

Destacamos que, foram republicanos de primeira hora os seguintes Maçons: Quintino Bocaiuva (Grão-Mestre do GOB, de 1901 a 1904), Prudente Moraes (Presidente do Brasil, de 1894 a 1898), Campos Salles (Presidente do Brasil e 1898 a 1902), Silva Jardim, Rangel Pestana, Francisco Glicério, Américo de Campos, Pedro Toledo (Grão-Mestre do Grande Oriente do Estado de São Paulo, de 1908 a 1913), Américo Brasiliense, Ubaldino do Amaral, Aristides Lobo, Bernardino de Campos e tantos outros.

Reza a história que, em 10 de Novembro de 1889, em uma reunião na casa do Maçom Benjamin Constant, tido como a principal liderança militar, onde compareceram, dentre outros, os Maçons Francisco Glicério e Campos Salles, os quais deliberaram pela queda do Império Brasileiro. Dentre outras ações para implantação da República, Benjamin Constant foi quem ficou incumbido de persuadir o Marechal Deodoro da Fonseca a entrar para o movimento pré-republicano. Por fim, Deodoro que este era bem relacionado com o Imperador, assumiu o comando do movimento e proclamou, a 15 de Novembro de 1889, a República no Brasil.

Vale destacar que, mesmo extinguindo-se do País a monarquia, o Imperador D. Pedro II, como sempre muito austero e possuidor de grande bom senso, ao contrário da opinião pública, não lutou pelo trono, reconhecendo que esse movimento seria o melhor para o futuro do Brasil e, assim, publicou a mensagem abaixo ao novo Governo Brasileiro:

À vista da representação escrita que me foi entregue hoje, às 3 horas da tarde, resolvo cedendo ao império das circunstancias, partir, com toda a minha família, para a Europa, deixando esta Pátria, de nós tão estremecida, à qual me esforcei por dar constantes testemunhos de estranho amor e dedicação, durante mais de meio século em que desempenhei o cargo de chefe de Estado. Assentando-me, pois, com todas as pessoas de minha família, conservarei o Brasil a mais saudosa lembrança, fazendo os mais ardentes votos por sua grandeza e prosperidade.

Rio de Janeiro, 16 de novembro de 1889

  1. Pedro de Alcântara.

Finalizando, ao observarmos a dedicação, o empenho e o trabalho desses grandes Maçons, devemos refletir sobre a nossa atuação no meio maçônico e na sociedade em que vivemos. Precisamos repensar qual foi, até agora, nossa contribuição para que, efetivamente, possamos falar em Liberdade, Igualdade e Fraternidade em sentido lato.

Atualmente, a Maçonaria Brasileira carece, com raras exceções, de verdadeiros Maçons, que nos sirvam de referência através de sua forma de agir e, principalmente, pelos seus exemplos.

 

Contudo, acreditamos que, inspirados nos primeiros construtores da nossa República, possamos seguir os exemplos, as ações e as atitudes desses grandes Maçons, no intuito de reestabelecermos a dignidade de nossa Pátria, ferida pelas más condutas dos que hoje a governam.

Concluindo, lembramos que, continuamente devemos buscar evoluir em nossa trajetória maçônica, a fim de que possamos, de fato, nos tornarmos paradigmas para nossos Irmãos, família e sociedade em que vivemos.

Pois, no amanhã, nossa história também será reconhecida pelo que fizemos de bom e de efetivo para restaurar a ordem, o respeito e a dignidade de todos nós brasileiros. Sejamos nós, Maçons de hoje, a inspiração das gerações futuras!

AILDO VIRGINIO CAROLINO
Grão-Mestre Adjunto

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