PAULA BRITO: UM DOS CONSTRUTORES DO BRASIL

PAULA BRITO: UM DOS CONSTRUTORES DO BRASIL

Refletindo sobre a atual situação de nosso país, podemos concordar que mudanças e reformas são necessárias e urgentes. Sobre esse aspecto, fomos buscar em nossa História um personagem que nos serve de inspiração para reconstruirmos nosso país.

Determinadas ações e, pequenas iniciativas, por vezes, são mais que fundamentais para modificarmos certas situações. Nessa perspectiva, destacamos o nome de Paula Brito, em função de seu pioneirismo, sua ação vanguardista e empreendedora que legou ao Brasil, para além da geração de empregos, a ampliação cultural e das fronteiras do saber, razão pela qual, sem favor nenhum, podemos considerá-lo um dos maiores construtores do Brasil.
Francisco de Paula Brito, ou simplesmente Paula Brito, nasceu em 02 de dezembro de 1809, em Magé, estado do Rio de Janeiro. Era filho de uma família afrodescente e pobre, seu pai era carpinteiro. Paula Brito iniciou seus estudos em casa, aos 06 anos de idade, com sua irmã mais velha, quem lhe ensinou as primeiras letras.
 Vale lembrar que, a imprensa foi o caminho natural de muitos afrodescendentes, onde aproveitavam a chance para adquirir uma razoável escolaridade informal e, com isso, conseguir escapar da profissão de caxeiro, ou de outras atividades ainda menos nobre, adentrando a porta das tipografias. Aqui, eles começavam como aprendizes ou auxiliares, depois, chegavam a compositores, alcançavam a revisam e, na própria leitura diária de originais que recebiam, iam formando uma cultura geral respeitável para um cenário tacanho daquele tempo.
Essa foi a rota percorrida por Machado de Assis, que depois alcançaria a posição de maior romancista do século XIX. Também, a do próprio Paula Brito, que deixou um lastro original e fecundo de produção como editor, fazendo de sua tipografia uma verdadeira fábrica de jornais, de livros e de talentos. Outros escritores, já dotados de boa formação intelectual, adquirida no exterior, principalmente na Europa, abraçavam o jornalismo como meio de defender ideias políticas e humanistas, como ocorreu com José do Patrocínio e Ferreira de Menezes, este a encenar os programas mais ousados do Partido Liberal do Império, aquele a personificar a Batalha pela Abolição da Escravidão no Brasil, cuja arrancada final e incontível, devemos a sua destemida participação.
Em 1824, com 15 anos, Paula Brito chegava ao Rio de Janeiro com o avô materno, então funcionário da Imprensa Nacional, que lhe ensinou os primeiros passos no ofício de tipógrafo, arranjado-lhe emprego de aprendiz na referida Imprensa. Pouco tempo depois, foi trabalhar na oficina tipográfica de Ogier e, em seguida, já estava trabalhando com Seignot – Plancher, que em 1827 lançaria nas ruas o Jornal do Commercio. Foi exatamente Paula Brito que compôs as primeiras notícias deste Jornal e nele permaneceu por vários anos, passando da gráfica para a redação, enchendo páginas e mais páginas com seus contos, poemas, romances e traduções.
Em 1831, com apenas 22 anos, resolve abrir sua própria tipografia, na Praça Tiradentes e, dali, no ano seguinte, saira seu primeiro jornal: “A Mulher do Simplício”, escrito totalmente em versos.
O empreendimento cresceu e se transformou, em 1851, na pomposa “Empresa Tipográfica Dois de Dezembro”, homenagem a sua data de aniversário e a de D. Pedro II, com láureas de impressora exclusiva da Casa Imperial. Em torno dela, formou-se uma plêiade de intelectuais e os melhores talentos da época, cujas obras editava, revelando grandes escritores como, por exemplo, Casimiro de Abreu, a quem, por vezes, o socorria nas dificuldades financeiras. Para cuidar melhor da qualidade gráfica, contrataria, em Paris, o tipógrafo Louis Therier, que ali começaria a imprimir figurinos a cores (alta costura), vindo da França, novidade revolucionária no Brasil.
Em A Marmota, segundo e mais importante jornal que fundou, aproveitaria a colaboração de muitos jovens aos quais estendera a mão e, além de Casimiro de Abreu, podemos citar Laurindo Rabelo, Joaquim Manoel de Macedo e tantos outros.
Vale destacar a preocupação de Paula Brito com os menos favorecidos, especialmente com os jovens afrodescendentes. Prova disso foi a contratação de Teixeira e Souza para cuidar da educação de suas filhas e, de quem as obras começaria logo a publicar, longe de imaginar que estava fincando os marcos da primeira prosa romântica no Brasil. Destacamos ainda que foi nessa época que deu emprego de tipógrafo a um menino negro e tímido, nascido no morro do Livramento, Machado de Assis.
Em 1853, Paula Brito vislumbrou novamente, com a possibilidade de ampliação da sua tipografia, adquirindo, para isso, vários prédios contíguos. Assim, na Rua do Ourives, hoje Miguel Couto, abriu uma loja nova, só para a venda de livros. Além disso, desde 1849, mantinha também, em sociedade com Cândido Lopes, uma outra oficina tipográfica em Niterói. O resultado desses esforços expansionistas não foi o sucesso esperado, ao contrário, em 1857, foi a falência em razão de incontáveis prejuízos. Paula Brito pediu auxílio aos amigos e recomeçou tudo de novo, a partir de A Marmota, que continuaria editando.
Aos poucos, ele foi reabrindo todas as casas que, mais tarde, a viúva e um genro continuariam tocando, mesmo após sua morte, ocorrida em 1861, aos 52 anos de idade.
Nessa segunda faze, mais comedido, tratou de cerca-se de garantias melhores e contratos que permitisse certa tranquilidade aos negócios, como o que foi firmado com a Câmara Carioca para a publicação do Semanário “Arquivo Municipal”, do qual saíram as primeiras crônicas de Moreira de Azevedo sobre o Rio de Janeiro, hoje composta de dois volumes.
Paula Brito, agora no auge de sua maturidade comercial, visando um público absolutamente novo e inexplorado, lançaria, em 1859, a “Biblioteca das Senhoras”, abarrotando o mercado de romances “Água com Açúcar”, que ele mesmo traduzia, além de moda, cujos originais chegavam, por encomenda, de Paris. Mal se recuperava do baque financeiro quando partiu para o Oriente Eterno. A família ainda daria continuidade aos seus negócios, mas, administrações incompetentes, que por vezes inescrupulosas, acabaram dilapidando o patrimônio que reunira à custa de muito trabalho.
Resumindo, Paula Brito foi o primeiro Editor de Livros no Brasil. Exerceu as atividades não só de editor, como também as de jornalista, escritor, poeta, taumaturgo e tradutor, além de empresário de grande importância que foi. O tipógrafo descobridor de talentos iniciou sua atividade laboral na Imprensa Nacional, posteriormente, trabalhou em diversas tipografias, o que lhe permitiu, aos 22 anos de idade, fundar a “Empresa Tipográfica Dois de Dezembro”, nos deixando um legado histórico, que enche de orgulho a todos nós brasileiros. Ele foi um dos maiores construtores do Brasil Império, de cujos frutos perduram até hoje.
AILDO VIRGINIO CAROLINO
Secretário Estadual de Gabinete
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