REFLEXÕES E RETROSPECTIVAS

REFLEXÕES E RETROSPECTIVAS

De vez em quando, costumo fazer uma breve retrospectiva de minha vida, buscando refletir e avaliar se estou ou não no caminho cer-to. Nessa busca, me vem à mente aquelas pessoas que, de uma maneira direta ou indireta, marcaram minha trajetória, me apontando novos caminhos pela palavra ou pelo próprio exemplo.
Assim, nesse caminhar, encontro em meus pensamentos, independentemente de ordem cronológica, alguns ilustres professores que prestaram relevantes serviços à sociedade brasileira, dentre os quais, podemos destacar os nomes de Archias de Menezes; os Irmãos Eliezer e Eliazar Rosa; Pedro Calmon; Roberto Lira; Alceu Amoroso Lima; Barbosa Lima Sobrinho; e Lauro de Oliveira Lima, que foram verdadeiros Mes-tres no que se propuseram a fazer e aos quais somos imensamente gratos.
Dessa forma, como uma singela homenagem, reproduzimos, a seguir, o texto:
Dinâmica de Grupo: “o Jardim Zoológico”, extraído de um dos inúmeros cursos oferecidos pelo Professor Lauro de Oliveira Lima, um dos maiores pedagogos brasileiros, conhecido pela sua atuação política na educação e pelo desenvolvimento do Método Psicogenético.
Com isso, convidamos a todos os Maçons a esta breve leitura, que nos instiga a uma breve reflexão sobre nossas atitudes e comporta-mentos:
Antes de adentrarmos no texto, vale ressaltar que, para amenizar a crítica (quando o grupo tem bastante intimidade e já quebrou o formalismo), adota-se uma classificação “ZOOLÓGICA” para identificar o comportamento e as atitudes de cada membro do grupo. Este proces-so só deve ser adotado se todos os membros concordarem com a brincadeira.
LEÃO – o rei da reunião, o dono do assunto, quando “urra” todos os participantes se calam. Psicologicamente, possui uma “juba” imponente que torna inquestionável sua ascendência sobre os demais “animais”. Os “ratinhos” tremem de ter que falar frente ao leão… Mas, o leão não é agressivo: está tão certo de sua superioridade que pode mostrar-se tranqüilo e senhor de si. Por vezes, boceja despreocupado, paciente com as peraltices dos outros “animais”.
HIENA – não tem opinião própria; adora o leão. Aprova tudo o que o leão diz e reclama do grupo não dá a devida importância ao que disse ele. Lembra, de vez em quando, ao grupo o que disse o leão. Acha o leão espirituoso e ri de tudo o que ele diz: balança a cabeça apavoradamente quando o leão fala. Quando o grupo pára, vai correndo cumprimentar o leão. Aliás, o leão conta sempre com suas hienas: quando fala nem sequer olha para elas: já sabe que dali virá aprovação.
TIGRE – é um leão ressentido por não ter suas hienas e não ser reconhecido pelo grupo como rei. Por isso, fica de mau humor (por vezes, mes-mo violento). Geralmente, é mais competente do que o leão, mas não tem o “charme” do rei dos animais… Fosse menos agressivo, destrona-ria, facilmente o leão. Mas, é por natureza cáustico e irônico, provocando irritação no grupo. O grupo procura colocá-lo na jaula ou não toma conhecimento de sua presença. O grupo procura colocá-lo na jaula ou não toma conhecimento de sua presença.
RAPOSA – está sempre surpreendendo o grupo com suas artimanhas. Quando quer, faz o grupo todo correr em sua perseguição, como uma matilha de cães de caça, ladrando em seu encalço. Desvia o grupo do tema sem que ninguém perceba. Sofisma, torce os argumentos, enleia o grupo. Jamais caminha em direção ao objetivo. Vale a pena ver a raposa brincando de se esconder com o grupo atarantado…
PAVÃO – está sempre de leque aberto, mostrando a policromia de sua “cultura”. Não se interessa pelo grupo e pelo objetivo; o grupo para ele é apenas platéia para quem desfila na passarela… Não perde ocasião de mostrar conhecimentos. Faz citações. Demonstra quem não sabe usar as palavras. É realmente, coisa digna de se ver. Pena é que esteja tão preocupado consigo mesmo…
COBRA – está no grupo só para envenenar as relações. Fica enroscada esperando a hora do bote: se alguém comete uma asneira, ela salta do ninho e põe, aos olhos de todos, a fraqueza do participante. Chama sempre a atenção do grupo para tudo do que possa envenenar as relações entre os membros. Provoca briga entre dois e fica de fora. Está sempre incitando os demais a “comer a maçã”…
PAPAGAIO – fica no “pau de arara”, falando por todos os poros: comenta tudo. Tem um caso a contar a propósito de tudo que se diga. Fala alto, Grita, Mas, ninguém dá importância a si próprio. Fala por falar. É o que sabe fazer. Geralmente, está inteiramente por fora do assunto.
CORUJA – é o antipodo do papagaio. Não fala, mas presta muita atenção. Olha com doçura para cada um que intervém na discussão, mas se vê que não é para replicar. Pisca os olhos quando não entende, mas sem franzir a testa. Vê-se que lamenta, mas, não protestará. Toma susto quando alguém a interpela. Pede desculpa quando tem que participar.
CARACARÁ – não gosta de discussões. Irrita-se mesmo quando acha que o grupo não progride. Com ele é: PEGA, MATA e COME. Quer decisões rápidas. Não topa muita filigrana. Intervém só para liquidar com o assunto. Dá a impressão de que está ali para sanear o ambiente. Está sem-pre trombudo e impaciente. Às vezes, não se contém e se levanta como protesto… mas, volta. Por ele não haveria discussão.
MACACO – é o “festivo” do grupo. Anedoteiro, espirituoso, bagunceiro, inteligente e superficial. Sempre que intervém provoca risos. Todos esperam dele uma gracinha. Ninguém o leva a sério. Anima, mas, termina irritando. No fim da reunião, está amuado e sem graça…
GAIVOTA – fica voando por alto. Eleva a discussão para os “primeiros princípios e primeiras causas”. Quem quiser acompanhá-lo terá que le-vantar vôo. Para não dizer que está fora da realidade, de vez em quando, dá um “pique” no assunto e pega um “peixe” que vai deglutir nas alturas. Voa com elegância, mas está distante do grupo. Nasceu para ser solitário.
CÃO – inteligente, fareja bem o assunto, mas ladra demais. Faz muito barulho por pouco. Está sempre vigilante para defender suas ideias: não deixa passar nada! Seu dono é sua crença. Não cede um milímetro. Tem razão, mas, poderia ser mais prático.
BOI – difícil de mover. Obstinado. Lento. Nada o apressa. Fica onde está: não caminha no passo do grupo. Tranquilo. Fala pouco. Quando to-dos esperam que ele esteja lá longe, percebem que ficou parado na mesma ideia. Não se atemoriza com os outros animais. Vai devagar e sem-pre. Pode-se obter dele bom rendimento, mas sem pressa…
ELEFANTE – sem sutileza. Não percebe as nuanças. Leva tudo “no peito”. Seria um ótimo executivo, mas, não dá para discussões. É pesado demais para viver em grupo. Quando intervém é para acabar com a reunião: quer iniciar a ação.
GATO – mia para chamar a atenção: muito discretamente. Solicitado, se enrosca e não quer falar. Comprador de simpatia, dengoso, podendo dar um salto, contudo, se aparecer um ratinho. Conserva as unhas ocultas. Prefere agir depois da reunião com olhos cândidos como se não tivesse maldade e fosse inofensivo.
COELHO – simpático, ágil, pulador. Não tem plano. Não é consequente. Cheira e experimenta todas as ideias que aparecem. Não se importa com lógica. Salta de uma ideia para outra sem escrúpulo. Se os animais de grande porte aparecem, oculta-se. Quando eles saem, o coelho se esbalda…na arena.
ESQUILO – acanhado, fugidio, embaraçado. Fica “quebrando sozinho suas nozes”. Se o interpelam, enrubesce e se retrai. Dificilmente, partici-pa, apesar de estar muito interessado. Se insistirem muito, não volta mais às reuniões dos dias seguintes…
POMBO – é um pavãozinho frustrado. Fica arrulhando com companheiro ao lado. Só vive de par. É monogâmico e fiel. Cata “pedrinhas” para ele próprio e para o vizinho. Se o interpelam bate as asas assustado, mas volta a arrulhar com o companheiro…
ARAPONGA – tem canto monótono e insistente. Sempre igual e vibrante. Volta sempre ao tema. Tem ideia fixa. Não que seja cabeçuda. E que é monocórdio. Só tem uma ideia e é incapaz de seguir uma discussão.
PICA-PAU – não tem o bom-humor do macaco, mas interfere em tudo, aparentemente, é participante. Pega uma ideia e fica “picando-a” em mil pedacinhos. Para ele não há objetivo a atingir: sua função é “picar” cada idiea que aparece, retalhando todos os detalhes. Mas só age às bicadas… e atropeladamente. Os outros continuam, mas ficam ouvindo, de longe, o pica-pau picando o que ficou para trás…
ARANHA – é mestra em teia onde se envolvem os mosquitos e besouros. Para ela a discussão é obra de arte. Cada fio deve ficar amarrado no outro. Não prepara um plano: constrói uma armadilha para emaranhar os incautos. Torna a discussão um novelo de fios emaranhados.
OURIÇO – fica espinhento a propósito de tudo. Para ele não há no grupo ideias, tudo são intenções. Está, pois, sempre eriçado de espinhos para que não o engulam. Ninguém pode ajudá-lo com tantos espinhos à vista…
ANTÍLOPE – é arisco: está sempre farejando o ar para ver se não o querem pegar de surpresa. Examina cada ideia como se dentro dela houves-se perigo. As palavras para ele têm estranha magia: tem medo até da brisa. Está sempre de sobreaviso. Com ele é difícil caminhar. Não confia em ninguém. Seu problema é de “nominalismo”…
HIPOPÓTAMO – fica mergulhado no assunto até as narinas. Não tem leveza nem sabe caminhar. Cada tópico para ele e um “atoleiro”. Sai da discussão ainda impregnado de dúvidas e molhado da discussão. Não supera as etapas. Leva a discussão. Não supera as etapas. Leva a discus-são para casa.
RATINHO – circula entre os animais fugidios. Nunca aparece. Rói as ideias por trás do pano. Por vezes, é quem salva o leão de um impasse, descobrindo como descoser a armadilha. Atravessa a cena em diagonal, às correrias. Rói seu queijo no buraco onde vive.
ZEBRA – em cada fase da discussão, apresenta um ponto de vista diferente. Concilia ideias opostas sem perceber a incoerência. Pode-se dizer que tem o pensamento “listado”… Entusiasma-se, igualmente, por duas direções opostas. É preto ou branco, não tem meio termo. Não sabe somar as ideias.
CAMALEÃO – está de acordo com a maioria: é ele mesmo quem afirma isto; a discussão para ele é uma oportunidade de verificar para que lado está soprando o vento. Pretende que está de acordo com todos os participantes por mais divergentes que sejam as posições tomadas.
Finalizando, nosso objetivo é, nesse momento, convidar a todos os Irmãos a também olharem para dentro de si. Refletir sobre si mes-mo, lembrando desde suas raízes até o momento atual, para que então possa ter plena consciência de si mesmo e, principalmente, de como suas atitudes e comportamentos repercutem no meio em que vive.
Lembramos que, desde nossa iniciação na Ordem, renascemos. Sejamos, então, a cada dia, assim como esses insignes professores, verdadeiros exemplos para nossa família, sociedade e, até mesmo, para nossa Maçonaria.
“A reflexão para o Maçom é um dos principais caminhos para o autoconhecimento”.
AILDO VIRGINIO CAROLINO
Grão-Mestre Adjunto
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