O Velório no Átrio

 O Velório no Átrio
Tendo em vista que, trabalhando, há aproximadamente vinte anos, em treinamento empresarial, sobretudo em cooperativas, decidimos elaborar um texto para um grupo de alunos, uma espécie de estudo de casos com forte conteúdo emocional, visando uma reflexão sobre si mesmo e as consequências sobre nossas ações e/ou omissões.
Contudo, pouco tempo depois, resolvemos adaptá-lo para que fosse apresentado em Lojas Maçônicas, o que se transformou num grande sucesso dado a receptividade desta peça entre os Irmãos e Lojas de nossa jurisdição, o que nos levou a realizar, inclusive, várias apresen-tações, sempre teatralizadas, em muitas de nossas Lojas.
Em Maio de 2013, com as devidas adequações, resolvemos publicar esse texto em nosso Boletim, causando grande repercussão positi-va, ao ponto de, até hoje, sermos surpreendido com sua apresentação ou comentários em algumas Lojas e com a nossa presença, o que nos enche de alegria, especialmente por sabermos que somos úteis à Maçonaria.Como temos notado um grande interesse por parte dos Irmãos nessa peça de arquitetura, e por não mais estar disponível para consulta em nosso sítio da Internet, devido ao tempo de sua publicação, resolvemos reeditá-lo.
Esperamos que esse texto continue a motivar aos nossos Irmãos para criar ou sugerir algo que possa energizar os Obreiros em suasOficinas. Que essa crônica que ora apresentamos possa despertar o desejo de mudança de atitude em todos nós, despertando-nos para manter-mos a União e o Comprometimento entre nós e de cada Irmão verdadeiramente envolvido com a prática da verdadeira Maçonaria.
São essas algumas das razões que nos leva a publicar, novamente, o texto“Velório no Átrio”.
Determinada Loja Maçônica estava em uma situação muito difícil, era uma fase realmente crítica. Suas reuniões não traziam nada denovo e até as tradições estavam se perdendo. Era sempre a mesma coisa, ou seja, ar pesado e poluído, a energia sempre negativa,os Obreiros apáticos e desmotivados, bem como a descrença em possíveis soluções imperava e os balanços financeiros, um horror, não saíam do vermelho.
A bem da verdade, tanto a sua Administração como as contas retratavam muito bem alguns países do Terceiro Mundo. Era uma verdade ira calamidade, levando a muitos valorosos Irmãos se afastarem assustados e, ao mesmo tempo, tristes por não poderem contribuir para a solução dos problemas existentes, até porque nem sequer eram ouvidos. Efetivamente, esta situação não podia mais continuar como estava. Era preciso fazer alguma coisa para reverter o caos ali instalado.
Todavia, nenhum Irmão estava disposto a reagir contra àquele estado de coisas; não queria assumir sua parcela de culpa, muito menos oferecer soluções viáveis, mas que poderia melindrar alguns Irmãos que insistiam em não buscar soluções. Desta forma, a maioria dos Obreiros apenasreclamava e dizia que tudo estava ruim, não havendo qualquer perspectiva para melhorar o astral ou a harmonia da Loja e, consequentemente,o progresso maçônico dos Irmãos ficava cada vez mais distante de ser alcançado.
Acontece que, para uns poucos e valorosos Obreiros, nem tudo estava perdido. Todavia, era necessário abrir o coração e deixara Luz do Amor Divino entrar e nele fazer sua morada. Acreditavam que a Administração da Loja, ou mesmo qualquer Irmão do Quadro, que fosse maishabilidoso e equilibrado, deveria tomar a iniciativa no sentido de reverter todo processo de Decadência Fraternal, Espiritual e até mesmo Mate-rial, que abateu sobre os Irmãos e, consequentemente, vinha contribuindo para o afastamento de grande parte dos membros da Loja.
É tam-bém verdade que muitos deles, talvez inconscientemente, estivessem esquecendo os verdadeiros princípios maçônicos, nos quaisseassenta aMaçonaria, tais como: prevalência do espírito sobre a matéria, a busca do aperfeiçoamento moral e ético, a prática da fraternidade, a tolerân-cia, a solidariedade e tantos outros importantes à virtude do Maçom.
Contudo, a grande surpresa estava para chegar e com ela, o desejo de alcançar novos progressos. O fato é que, um certo dia, quando osObreiros chegaram para o “trabalho”, encontraram na Sala dos Passos Perdidos, um imenso cartaz, todo colorido e chamativo noqual estavaescrito um comunicado, redigido da seguinte forma:“Acabou de passar para o Oriente Eterno, o Irmão que impedia a evolução e o progresso da Loja, bem como o crescimento de todos os Obreiros. Ele foi atingido por um grande mal, ou seja, pelo seu próprio veneno, mas nem por isso deixou de ser considerado um Irmão. Agoravocê está convidado a prestar a sua última homenagem àquele que na sua ascensão maçônica não passou da Pedra Bruta; permaneceu nela até a sua passagem para o Oriente Eterno”.
Todos se mostraram muito tristes por causa do falecimento de um Irmão Fraternal. Após algum tempo, já refeitos do choque inicial, os Irmãos ficaram ansiosos e impacientes para descobrirem quem era o Obreiro que há muito tempo vinha impedindo que o equilíbrio e a harmonia fossem alcançados na Loja. A especulação também esteve presente e até o mais sereno de todos os Irmãos perguntaria: “Quem será o dito cujo? Era um Irmão antigo ou novo?”
A agitação e a curiosidade eram demais no recinto, gerando até uma certa confusão, uma vez que todos queriam entrar ao mesmo tempo para ver o defunto. Foi preciso que alguns Irmãos mais sensatos interviessem para organizar uma pequena fila à entrada do Átrio, onde esta-va sendo feito o velório. Assim, conforme os Irmãos iam se aproximando da Urna Funerária, a excitação aumentava cada vez maisRegistra-se que o momento mais constrangedor do velório ocorreu quando um ilustre Irmão do quadro, muito exaltado, talvez tomado pela emoção, interrogava de forma contundente: “Quem seria o Irmão que estava atravancando o meu progresso maçônico? Quem foi esse infeliz? Ainda bem que a Justiça Divina foi feita e agora vamos poder progredir.”
Foi nesse clima que, um-a–um, os Obreiros aproximaram-se da urna, olhavam o “morto” através do visor e em seguida, geralmente pálidos,engoliam em seco e se afastavam. Após essa dura realidade, os Irmãos ficavam no mais profundo e absoluto silêncio, dando a impressão de que o mais fundo de suas almas fora atingido e marcado para sempre.
Meus prezados Irmãos, certamente, depois dessa trágica narrativa, todos vocês já perceberam que, no Visor da Urna, havia um espelho a refletir a mais pura e verdadeira imagem daquele que vinha emperrando, mesmo que inconscientemente, o tão necessário e desejado progresso maçônico.
Bem, vocês já perceberam também que só existe uma pessoa capaz de limitar nossa evolução e nosso crescimento, seja maçônico ou profano, seja interior ou exterior. Essa pessoa, em verdade, é você mesmo.
Na verdade, a única pessoa que realmente pode fazer a revolução de sua vida pessoal, material e espiritual ou mesmo prejudicar a sua própria evolução é você mesmo. Você é a única pessoa que pode se autoajudar. Até porque é dentro do seu coração ou no mais profundo doseu subconsciente que você vai encontrar força e energia necessárias para se transformar no artesão da sua própria vida, sejaela maçônica ou profana.
Além do mais, o Irmão que desejar construir um verdadeiro Templo deve visitar a si mesmo, no mais profundo do seu ser e, aí então,executar um trabalho oculto e misterioso. Tal como a boa semente que deve ser plantada no seio da Terra para que seja possível colher os me-lhores grãos ou frutos. Da mesma forma, quem ouve o chamado da sua consciência ou do GADU, liga o seu canal e fica sintonizado com
Ele e, certamente obterá a mais sublime transformação, ou seja, poderá encontrar a Pedra Filosofal que está oculta em seu próprio interior, e que lhe possibilitará fazer do carvão o diamante mais brilhante, do chumbo o puro ouro, da escuridão a luz mais reluzente e,porque não dizer,do ódio o amor.
Esta crônica se destina à nossa reflexão e qualquer semelhança com a vida real é mera coincidência. Contudo, estamos nos aproximando de um período de transição administrativa em nossas Lojas, cabendo ressaltar que o momento é propício ao cultivo de bons hábitos.
Dessa forma, concluímos reiterando a importância de refletirmos, pensar e repensarmos nossas ações e, até mesmo, as omissões,afim de que, sob os auspícios do GADU, possamos bem pavimentar nossos caminhos, com base nos fundamentos e princípios da Maçonaria e,comisso, construirmos a base de uma sociedade verdadeiramente mais solidária, justa e fraterna.
AILDO CAROLINO
GRÃO-MESTRE ADJUNTO
PRESIDENTE DO CEO
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